A banda portuguesa Beduínos a Gasóleo deu os primeiros passos em finais da década de 90 do século passado, mais precisamente em 1997.
O projecto, na época, poderia ser classificado como de rock clássico, com algumas pinceladas progressivas. A formação mais duradoura desta época incluía José Leal (voz), Marko (baixo), René (bateria), Luís Manuel Oliveira (guitarras) e José Carlos Fialho (teclados).

O único registo discográfico desta formação existe no álbum de homenagem ao malogrado Adrian Borland (líder da banda de “new wave” The Sound), com o tema “Sense of Purpose”. O álbum (“In Passing”) é uma colectânea de músicos e bandas de todo o Mundo, foi editado pela “indie” norte-americana Pathos Music e está esgotado há já alguns anos.

Em 2004, o núcleo criativo da banda (Fialho e Oliveira) resolveu aventurar-se decididamente por um tipo de música mais ambicioso (um objectivo já enunciado há longo tempo), desfazendo a formação existente e continuando a duo, escrevendo e compondo novo material.

A iniciativa deu os seus frutos e em 2005 os dois autores/compositores resolveram formar os “novos” Beduínos a Gasóleo para explorar o material mais recente. A banda ficou completa com as entradas de Ricardo Leite (baixo), Flávio Pena (bateria) e Rita Guerreiro (voz).

Foi já esta formação (sem Rita Guerreiro, dado tratar-se de um instrumental) que gravou em Agosto de 2005 um tema original de Fialho (“Convergir”) para um álbum de homenagem aos Gentle Giant, referência maior do rock progressivo, de nome “Giant for an Hour”.

No Verão de 2006, a banda entra nos recém-inau- gurados Groovin’ High Studios, em Lisboa,  para gravar o primeiro longa-duração de originais em nome próprio. Rita Guerreiro tinha entretanto saído, o que deixava a banda sem voz principal. O problema ficou resolvido com um convite a Petra, cantora da banda portuguesa de blues Nobody’s Bizness, para assegurar a maioria das vozes deste trabalho.

Os temas (à excepção de uma nova versão de “Convergir”, um dos “extras” do CD) são longos “épicos”. Um deles, na sequência de uma ideia de Nuno Lourenço, da Associação Portugal Progressivo, é baseado livremente no Canto IV de “Os Lusíadas”, o épico poema seiscentista de Luís de Camões. A letra para a peça foi escrita, a convite da banda, pelo pintor e escritor Miguel Horta, com a colaboração de Fialho. Neste tema, a banda conta também com a participação especial do cantor Janita Salomé, numa simbiose que a alguns parecerá inusitada... mas que resultou de forma notável.

Todos os temas, com as excepções já referidas, foram integralmente escritos pela dupla Fialho/Oliveira. Todos os textos são em Português.

A banda foi “acrescentada” para este disco com as excepcionais participações de Paulo Chagas (saxofone/flauta) e Fernando Simões (trombone).
O disco foi gravado e misturado por Paulo Muiños e masterizado já em 2007 por Ars Lindberg (nos Estúdios Praça das Flores, Lisboa) com Fialho a assumir o trabalho de produção artística e executiva.

A capa e todo o trabalho gráfico têm a assinatura de João Fonseca e Melo, com fotografia de Ana Fonseca.

A edição foi integralmente custeada pela banda e publicada sob o seu próprio selo em Outubro de 2007.

Resta apenas acrescentar que o nome da banda pretende ser uma homenagem ao prematuramente desaparecido jornalista e escritor de ficção científica português João Botelho da Silva, que ganhou um Prémio Caminho para este género literário precisamente com o romance “Beduínos a Gasóleo”. Afinal, o progressivo e o imaginário do fantástico/ficção científica andaram sempre de mãos dadas...
Foto José António Domingues